terça-feira, 9 de outubro de 2007

Cannes e Canos no Rio

CANO EM BRASA

Fazia tanto tempo que não atualizava, por conta do Festival do Rio e de compromissos em

Belo Horizonte, que a foto do Dodô ficou no alto da página, caduca, como a lembrar como o

passado recente, pré catástrofe no Monumental de Nunes, pós saída de Cuca, podia ainda conter

alguma dignidade. Segundo o matemático Oswald de Sousa, se empatarmos todas, a gente não

corre risco de cair. Mas como o Vesgo, nosso Mario Sergio, está brigado com pontuação, alérgico

até a empate, melhor falar de cinema


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CANNES MORNA E QUENTE


Floresta dos Lamentos, de Naomi Kawase: menos que Shara, mas sem rupturas, com a mesma superação de luto, porém sem a mesma delicadeza de tratamento: 8,0

Paranoid Park, de Gus Van Sant: menos que Last Days, com algumas alterações significativas, em matéria de orgamização das imagens, bem menos concentrada na experiência: 8,0

O Escafandro e a Borboleta, de Julian Schnabel: pensava ser impossível gostar de um filme de Schnabel, mas, banalidades de mise en scéne a parte (subjetivas engraçadinhas e narrações mentais), o filme tem lá sua beleza: 7,0

Stellet Litcht, de Carlos Reygadas: até sou defensor do filme anterior Reygadas, Batalha do Céu, e um dos mais intensos admiradores de Japon, mas aqui só vi busca de uma marca, embora, queira-se ou não, é dos filmes mais esquisitos vistos por mim. 4,0


4 Meses, 3 Semanas, 2 dias, de Christina Mungiu: nem supra sumo, nem sub movie, mas um olhar duro, cirúrgico, cético, que as vezes abusa da crueldade, sem o humor de outros romenos recentes: 8.0

California Dreamin, de Cristian Nemescu: esse é mais cara de cinema romeno atual, com exploração do inusitado e a visão política-histórica banhada em humor. 7,0

Seu Nome é Sabine, de Sandrine Bonnaire: daqueles casos de ida aos limites da degradação de um ser humano, em misto de observacional com interativo, cruel na relação entre as imagens, ambíguo em sua moral da imagem, mas profundamente tocante Nota: 7,0

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Dos concorrentes de Veneza, só testemunhei I Not There, de Todd Gaynes, um de meus três preferidos do Festival do Rio, com Síndrome e um Século, de Apitchtpong Weeresethakul, e Jogo de Cena, de Eduardo Coutinho


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Cano no Rio

Tropa de Elite, do 174 José Padilha, visto no BarraPoint, em um sábado, com mais duas pessoas, talvez a sessão mais vazia da carreira do filme, me pareceu medíocre. Não entrarei nesse momento nas questões políticas e morais, para mim distantes das alarmadas acusações de fascismo, para mim um tanto miopes para o discurso do filme tal qual eu vejo nas imagens, para mim sedentas por uma polêmica pelo ângulo distorcido, mas, cinematograficamente, na relação entre as imagens e a narração, a fragilidade salta aos olhos. Didatismo demais, psicologia demais, sociologia demais, cinema de menos. Não se crê na imagem, nas situações, nos personagens, na percepção deles em situação de risco. Imagens é ilustração de narrador. Se viu Jorge Furtado, Padilha nada assimilou. O fato de ter se tornado polêmico, questão nacional, mostra como os olhos do país, como já notava Inacio Araújo nos anos 80 e Paulo Emilio em pelo menos um de seus artigos, são embaçados para as imagens.

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